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sexta-feira, 7 de março de 2014

Quinze perguntas sobre a violência política na Venezuela

O sacerdote jesuíta panamenho Jorge Sarsaneda Del Cid formula na rede 15 perguntas ignoradas pela grande imprensa que colocam em evidência diversos aspectos e permitem analisar as motivações da violência desatada pela direita fascista na Venezuela.




1. Por que dizem que na Venezuela se sofre com uma grave falta de alimentos, justificando assim destruição e incêndios, se foi um dos quatro países da América Latina com menos fome em 2012 (de acordo com a FAO e a OMS), inferior a 5%, e um dos países com maior índice de crianças e jovens obesos? 

Seguindo a lógica dominante, por que não há protestos piores em um país vizinho como a Colômbia, no qual a fome foi sentida por 12,6% da população, isto é, quase o triplo da Venezuela? 

2. Se as causas dos ataques, incêndios e manifestações é a escassez de produtos básicos, por que se observam ações de tipo político e não roubo de lojas e armazéns, o que seria de se esperar quando se trata de carência generalizada? Por que um dos dirigentes opositores, Henrique Capriles, afirma que se deve à "falta de remédios" se os avanços em saúde na Venezuela estão entre os mais destacados da região? 

3. Por que tanta violência pela suposta "ausência" ou falta de acesso à comida se a revista “The Economist” publicava esta semana que a escassez só afetou cerca de 28% dos produtos? Por que os mesmos analistas não preveem algo parecido na República Dominicana, país no qual o “Latinobarômetro” detectou que cerca de 70% da população não tem dinheiro suficiente para comprar a comida do mês? 

4. Por que o epicentro dos protestos pela "escassez" é a Praça Altamira, no meio de bairros de classe alta e habitantes com pele tão branca? Não seria mais lógico em bairros pobres e população mestiça, já que a Venezuela é o segundo país com maior proporção de afrodescendentes da América do Sul, depois do Brasil?

5. Por que a Unesco reconhece a Venezuela como o quinto país com maior matrícula universitária do mundo, que cresceu mais de 800%, sendo que em torno de 75% da educação superior é pública, e no entanto não se conhece nenhuma luta do "movimento estudantil" atual, enquanto há "estudantes" marchando contra "torturas" e por "comida"? 

6. Se os estudantes da educação superior na Venezuela já superam 2,6 milhões (isto é, ao redor de 20 vezes a população estudantil do Panamá), por que as manifestações são mais em forma de focos ou grupos de dezenas ou, no máximo, centenas de pessoas? 

7. Se o comum e corrente é que os estudantes ou sindicatos marchem por mais benefícios e serviços públicos, assim como leis mais democráticas e equitativas, por que os "estudantes" que marcham na Venezuela o fazem por papel higiênico, defendendo a propriedade privada da imprensa ou do comércio para bens de consumo? 

8. Por que não se sabe ainda o nome de nenhuma entidade ou organização estudantil, nenhuma pauta de reivindicações, nem o nome de nenhum de seus mais importantes dirigentes ou membros de diretoria, mas sim os nomes de notórios e antigos líderes da oposição partidária e eleitoral, envolvidos nas ações golpistas de 2002 e 2013? 

9. Por que e quem produz as imagens falsas de torturas, assassinatos e humilhações posteriores aos confusos fatos de 12 de fevereiro de 2014, manipulando fotos do Chile, da Europa ou da Síria para que apareçam nas redes sociais e até em meios de comunicação como a CNN como se fossem na Venezuela? Que liderança democrática e civil já usou manobras como essa na história universal? 

10. Se os bolivarianos e seus aliados ganharam as eleições de 2012 e 2013, incluídas as municipais mais recentes de dezembro passado, quando obtiveram 55% dos votos e 76% das prefeituras, por que se fala que o oficialismo é hoje "minoria"? Por que sua renúncia ou um referendo revogatório é proposta como saída para "a crise", fora de todos os prazos e procedimentos legalmente estabelecidos para isso na Constituição feita com a própria liderança bolivariana? 

11. Por que se invoca a falta de diálogo se há apenas dois meses foi realizado na Venezuela um encontro histórico entre o Executivo nacional e todos os prefeitos recém-eleitos, incluindo opositores, contando assim com a participação de todos os partidos e posições? Com quem se dialoga, quem dirige ou lidera "a crise"? 

12. Por que o principal - e praticamente único - porta-voz das manifestações, supostamente pacíficas e alentadas pela "ineficiência" do governo, é Leopoldo Lopez, pessoa que não conta com nenhuma representatividade, salvo a de seu minúsculo partido, e seu chamado mais importante é há meses "tirar aqueles que governam"? O que o Tea Party (ultradireita dos EUA) tem a ver com tudo isso, já que a relação extremamente próxima com Lopez é muito conhecida? 

13. Por que não usam os governos dos estados, as prefeituras e os assentos nas assembleias nacional e estaduais para propor um programa de ações pacífico e político, e por que não canalizam através de sua enorme incidência midiática as denúncias de "corrupção", "fraude", "totalitarismo", "fome" e "repressão" com provas contundentes e inegáveis - não por twits, nem cápsulas de Youtube - como faziam as oposições a Trujillo, Balaguer, Pinochet ou Videla? 

14. Por que se protesta, se na Venezuela mais de 42% do orçamento do Estado é destinado aos investimentos sociais? Segundo dados internacionais, cinco milhões de pessoas saíram da pobreza, então quem está protestando? Por que se protesta se o analfabetismo foi erradicado? Do que reclamam os estudantes se o número de professores nas escolas públicas se multiplicou por cinco (de 65 mil a 350 mil) e foram criadas 11 novas universidades? 

15. Por que...? 

Poderíamos seguir acrescentando perguntas. A verdade é que, como latino-americanos, enquanto nos insultamos, acusamos e desqualificamos, os "grandes do mundo" fazem seus cálculos para nos tirar o petróleo, o cobre, o lítio, a água e tantas outras riquezas que temos. Aí é onde temos que colocar nossa atenção...

Fonte: Prensa Latina, sucursal no Panamá

Forças Armadas não apoiarão golpe de Estado na Venezuela

O Comandante Estratégico Operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), general Vladimir Padrino, ratificou nesta quinta-feira (6), que a instituição militar que preside “não se prestará para a barbárie nem para golpes de Estado e menos para forçar a vontade popular”.

Comando Estratégico Operacional da Força Armada
ratificou seu respaldo a Maduro| Foto: Minci
Por meio de comunicado oficial, Padrino recordou que a FANB é uma instituição que merece respeito, assim como "tampouco somos os guerrilheiros do século 19 e princípios do século 20 que atuavam em função dos interesses da direita neoliberal, do capital estrangeiro".


“Somos parte de uma instituição decente, que obedece a princípios e valores, respeitosa dos Direitos Humanos e que tem um marco de atuação assinalado em nossa Constituição da República Bolivariana da Venezuela”, sublinhou.

Desta maneira, o general rechaçou as acusações que pesam contra os efetivos militares, aos quais setores da direita nacional e grupos de vândalos que semeiam o terror em alguns municípios do país, acusam de “repressivas” e “violentas”.
Ministra de Defesa, Carmen Meléndez, ressaltou a união cívico-militar Foto Minci


Outrossim, ressaltou que a campanha mediática empreendida contra as FANB é “uma batalha entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, e os soldados bolivarianos vamos junto a Deus abrindo caminhos de liberdade, independência e progresso para construir a pátria de Simón Bolíver e Hugo Chávez”.

Nesse sentido, condenou os atos de violência suscitados durante as últimas semanas em municípios com prefeitos de oposição, os quais apresentam um balanço preliminar de 21 pessoas falecidas e centenas de feridos e detidos.

"Estas ações violentas que cerceiam os direitos fundamentais da sociedade buscam um desenlace que rompa com o fio constitucional, esses grupos buscam desesperadamente um ponto de inflexão nas Fanb”, assinalou. 
 
Por último, Padrino atribuiu essa “arremetida” a “alguns grupos dissociados que querem ver destruída a Venezuela” tal como já o pretenderam fazer durante o golpe de Estado de 2002.

“Está proibido esquecer, é necessário voltar nosso olhar ao passado recente e nos remetermos aos dias aziagos de abril de 2002 e os anos subsequentes”, apontou.

Fonte: TeleSUR
Tradução: Max Altman

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cai o castelo de cartas de Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa

As palavras finais do presidente da corte suprema, depois da decisão que absolveu os réus da AP 470 do crime de quadrilha, soaram como a lástima venenosa de um homem derrotado, inerte diante do fracasso que começa a lhe bater à porta. A arrogância do ministro Barbosa, abatida provisoriamente pelo colegiado do STF, aninhou-se em ataque incomum à democracia e ao governo.

Por Breno Altman*, especial para o 247

"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo", discursou o relator da AP 470. "Esta maioria de circunstância foi formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012."

Sua narrativa traz uma verdade, um insulto e uma fantasia.
Tem razão quando vê risco de desmoronamento do processo construído sob sua batuta. A absolvição pelo crime de quadrilha enfraquece fortemente a acusação. Se não há bando organizado, perde muito de sua credibilidade o roteiro forjado pela Procuradoria Geral da República e avalizado por Barbosa. A peça acusatória, afinal, apresentava cada passo como parte minuciosa de um plano concebido e executado de forma coletiva, além de permanente, com o intuito de preservação do poder político. Se cai a tese de quadrilha, mais cedo ou mais tarde, as demais etapas terão que ser revistas. Essa é a porção verdadeira de sua intervenção matreira.

A raiva de Barbosa justifica-se porque, no coração desta verdade, está a neutralização da principal carta de seu baralho. O ex-ministro José Dirceu foi condenado sem provas materiais ou testemunhais, como bem salientou o jurista Ives Gandra Martins, homem de posições conservadoras e antipetistas. A base de sua criminalização foi uma teoria denominada "domínio do fato": mesmo sem provas, Dirceu era culpado por presunção, oriunda de sua função de líder da eventual quadrilha. Absolvido do crime fundante, a existência de bando, como pode o histórico dirigente petista estar condenado pelo delito derivado? Se não há quadrilha, inexiste liderança de tal organização. A própria tese condenatória se dissolve no ar. O que sobra é um inocente cumprindo pena de maneira injusta e arbitrária.

Derrotado, Barbosa recorreu a um insulto: acusa o governo da República de ter ardilosamente montado uma "maioria de circunstância", como se a fonte de sua indicação fosse distinta dos demais. Aponta o dedo ao Planalto sem provas e sem respeito pela Constituição. Atropela a independência dos poderes porque seu ponto de vista se tornou minoritário. Ao contrário da presidenta Dilma Rousseff, que manteve regulamentar distância das decisões tomadas pelo STF, mesmo quando eram desfavoráveis a seus companheiros, incorre em crime de Estado ao denunciar, através de uma falácia, suposta conspiração da chefe do Executivo.

A conclusão chorosa de seu discurso é uma fantasia. Não se pode chamar de "trabalho primoroso" uma fieira de trapaças. O presidente do STF mandou para um inquérito secreto, inscrito sob o número 2474, as provas e laudos que atestavam a legalidade das operações entre Banco do Brasil, Visanet e as agências de publicidade do sr. Marcos Valério. Omitiu ou desconsiderou centenas de testemunhas favoráveis à defesa. Desrespeitou seus colegas e tratou de jogar a mídia contra opiniões que lhe contradiziam. Após obter sentenças que atendiam aos objetivos que traçara, lançou-se a executá-las de forma ilegal e imoral.

O ministro Joaquim Barbosa imaginou-se, e nisso há mesmo um primor, como condutor ideal para uma das maiores fraudes jurídicas desde a ditadura. Adulado pela imprensa conservadora e parte das elites, sentiu-se à vontade no papel do pobre menino que é glorificado pela casa grande por suas façanhas e truques para criminalizar o partido da senzala.

O presidente do STF lembra o protagonista da série House of Cards, que anda conquistando corações e mentes. Para sua tristeza, ele está se desempenhando como um Frank Underwood às avessas. O personagem original comete incríveis delitos e manobras para chegar à Presidência dos Estados Unidos, derrubando um a um seus adversários. O ministro Barbosa, porém, afunda-se em um pântano de mentiras e artimanhas antes de ter dado sequer o primeiro passo para atravessar a praça rumo ao Palácio do Planalto.

Acuado e sentindo o constrangimento de sua nudez político-jurídica, o ministro atira-se a vinganças, recorrendo aos asseclas que irregularmente nomeou, na Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, como feitores das sentenças dos petistas. Delúbio Soares teve o regime semiaberto suspenso na noite de ontem. José Dirceu tem contra si uma investigação fajuta sobre uso de aparelho celular, cujo único propósito é impedir o sistema penal que lhe é devido. O governo de Brasília está sendo falsamente acusado, com a cumplicidade das Organizações Globo, de conceder regalias aos réus.

O ódio cego de Barbosa contra o PT e seus dirigentes presos, que nenhuma força republicana ainda se apresentou para frear, também demonstra a fragilidade da situação pela qual atravessam o presidente do STF e seus aliados. Fosse sólido o julgamento que comandou, nenhuma dessas artimanhas inquisitoriais seria necessária.

O fato é que seu castelo de cartas começou a ruir. Ao final dessa jornada, o chefe atual da corte suprema sucumbirá ao ostracismo próprio dos anões da política e da justiça. Homem culto, Barbosa tem motivos de sobra para uivar contra seus pares. Provavelmente sabe o lugar que a história reserva para quem, com o sentimento dos tiranos, veste a toga dos magistrados.

*Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.

Fonte: Vermelho

O que Joaquim Barbosa quer ao insultar seus colegas?

As palavras de Joaquim Barbosa depois da espetacular – e merecida – derrota na questão da quadrilha mostram alguma coisa que está entre dois extremos. Ou ele foi muito calculista ou sucumbiu a uma explosão patética ao insultar os colegas do Supremo que ousaram não acompanhá-lo em sua louca cavalgada.


Por Paulo Nogueira*, no Diário Centro do Mundo

Ele ofendeu também Dilma Rousseff, por sugerir que ela colocou Barroso e Teori no SFT para mudar as coisas no julgamento. Um dia os pósteros olharão para o destempero de Joaquim Barbosa e pensarão: como um presidente do STF pôde descer a tal abismo de infâmia?

Se havia sinais de que o grupo de ministros do Supremo é uma orquestra completamente desafinada, agora ficou claro. E isto é uma tragédia para o país.

Suspeito que a alternativa certa para o rompante de Joaquim Barbosa seja a falta real de controle, que em certa ocasião o fez ameaçar um colega velho. Ali ouviu uma frase notável: depois de bater na mulher, só faltava bater num velho, disse o ameaçado. (É fato que Barbosa agrediu a ex-mulher na separação).

A hipótese de cálculo demandaria um refinamento intelectual que ele está longe de ter.

Certas frases que pronunciamos na vida são irrevogáveis. A catilinária de Barbosa é um destes casos. Ele é, hoje, um elemento altamente desagregador na corte mais importante do país. Não une, não influencia, não encanta os pares: apenas briga com quem não o segue.

Está claro que a carreira no Supremo acabou, tecnicamente, para ele. Barbosa vai abraçar a política, que aliás já faz vestindo a toga que deveria supor neutralidade absoluta. Vai levar uma surra monumental se se atrever a tentar a Presidência. Logo descobriria que a mídia dá holofote e bajulação desde que ele faça o que ela quer, mas não dá voto.

Senador seria um caminho mais seguro.

Seria um ganho para os brasileiros. É mais fácil para a sociedade aturá-lo no Senado, em que vai ser uma voz a mais numa pequena multidão, do que no colegiado restrito do Supremo. A mídia tenderá a abandoná-lo, porque faleceu a esperança de que ele galvanizasse o país e tirasse o PT do poder.

E então ele vai enfrentar a dura realidade de que chegou, viu e perdeu.

*O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Presidenta Dilma visita Betim para entregar maquinas a prefeitos mineiros

A presidenta Dilma Rousseff desembarca nesta quarta-feira (26), em Betim (MG), para entregar, a partir das 10h, 226 máquinas a prefeitos de 209 municípios mineiros. Serão entregues as chaves de 138 caminhões-caçamba, 64 motoniveladoras e 24 caminhões-pipa. 

Fonte: Blog do Planalto