O acordo entre o governo do estado de São Paulo, a Associação Paulista dos Supermercados (Apas) e diversos prefeitos, entre eles Gilberto Kassab (PSD), não tira dos estabelecimentos a responsabilidade de oferecer ao cliente alternativa gratuita para o transporte de suas compras.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (1º), a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) esclarece que apoia propostas que tenham por objetivo promover o consumo sustentável e consciente como forma de preservação do meio ambiente, desde que observados os direitos dos consumidores assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Segundo o comunicado, "os estabelecimentos devem oferecer uma alternativa gratuita para que os consumidores possam finalizar sua compra de forma adequada, devendo essa medida ser adotada pelo tempo necessário à desagregação natural do hábito de consumo."
E destaca que "na ausência de opção gratuita para que o consumidor possa concluir sua compra, fruindo de maneira adequada o serviço [prestado pelo supermercado], o estabelecimento deverá fornecer gratuitamente a sacola biodegradável, respeitando assim os ditames do Código de Defesa do Consumidor (CDC)".
O acordo entrou em vigor no último dia 25 sem consulta à sociedade e tem sido alvo de críticas e irritação da população. Segundo o Procon, o consumidor que tiver dúvidas ou quiser reclamar pode procurar um dos canais de atendimento.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
PM confirma: um terço do efetivo está de greve na BA
O comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Alfredo Castro, confirmou nesta sexta-feira (3) que 10 mil PMs aderiram a greve liderada pela Associação dos Policiais, Bombeiros e seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra-BA). Esse número representa um terço do efetivo da coorporação. Os policiais reivindicam um plano de carreira, melhores salários e condições de trabalho, entre outras coisas.
O comandante estava reunido na manhã desta sexta com representantes das outras associações de policiais na tentativa de chegar a uma solução para interromper a greve iniciada no último dia 31.
O secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, voltou a afirmar nesta manhã, que não vai dialogar com os grevistas. Na Assembleia Legislativa da Bahia, onde os policiais grevistas estão acampados, o clima é de tranquilidade, já que a manifestação é pacífica. Três viaturas da Polícia Militar (PM) impedem o acesso ao pátio onde os policiais e suas famílias estão acampados.
De acordo com informações, a categoria reivindica reajuste de 17%, passando por incorporações de gratificação ao soldo (remuneração), regulamentação do pagamento de auxílio acidente, periculosidade e insalubridade. Atualmente, um soldado recebe R$ 2.300.
Reforço na segurança
Um grupo de 150 homens da Força Nacional de Segurança já está em Salvador para ajudar na segurança pública. Os homens chegaram nesta quinta (2) à noite à capital baiana. A expectativa é que mais 500 militares da Força Nacional e do Exército cheguem à Bahia nas próximas horas para serem enviados ao interior.
Maurício Barbosa disse ontem (2) que o reforço no policiamento integra um pacote de medidas para a restauração da sensação de segurança. Ele se reuniria hoje com representantes de associações de policiais para discutir o assunto, mas desde ontem afirma que não pretende negociar sob "coação".
O juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Ruy Eduardo Almeida Brito, considerou ilegal o movimento grevista. O procurador-geral do estado, Ruy Moraes, disse que, se a Aspra não suspender o movimento, será cobrada multa de R$ 80 mil por dia de paralisação. A decisão judicial está em vigor e foi comunicada ontem à associação, que deve recorrer.
Com agências
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Terror imobiliário ou a expulsão dos pobres do centro de São Paulo
O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade. O modelo quer os pobres fora do centro de São Paulo. Isso é óbvio. O que não parece ser óbvio é que, em última instância, a determinação disso tudo é econômica. A centralidade é a produção do espaço urbano e a mola propulsora, a renda imobiliária. E depois dizem que Marx está morto.
Ermínia Maricato
Dificilmente, durante nossa curta existência, assistiremos disputa mais explícita que esta, que opõe prefeitura e Câmara Municipal de São Paulo (além do governo estadual), que representam os interesses do mercado imobiliário, contra os moradores e usuários pobres, pelo acesso ao centro antigo de São Paulo. Trata-se do único lugar na cidade onde os interesses de todas as partes (mercado imobiliário, prefeitura, Câmara Municipal, comerciantes locais, movimentos de luta por moradia, moradores de cortiços, moradores de favelas, recicladores, ambulantes, moradores de rua, dependentes químicos, e outros) estão muito claros, e os pobres não estão aceitando passivamente a expulsão.
No restante da cidade, como em todas as metrópoles brasileiras, um furacão imobiliário revoluciona bairros residenciais e até mesmo as periferias distantes, empurrando os pobres para além dos antigos limites, insuflado pelos recursos do Minha Casa Minha Vida no contexto de total falta de regulação fundiária/imobiliária ou, em outras palavras, de planejamento urbano por parte dos municípios. A especulação corre solta, auxiliada por políticas públicas que identificam valorização imobiliária como progresso.
Ao contrário do silêncio (ou protestos pontuais) que acompanha essa escandalosa especulação que, a partir de 2010, levou à multiplicação dos preços dos imóveis, em todo o país, no centro de São Paulo, foi deflagrada uma guerra de classes.
Não faltaram planos para recuperar o centro tradicional de São Paulo. Desde a gestão do prefeito Faria Lima, vários governos defenderam a promoção de moradia pública na região. Governos tucanos apostaram em estratégias de distinção local por meio de investimento na cultura (como demonstraram muitos trabalhos acadêmicos) Vários museus, salas de espetáculo, centros culturais, edifícios históricos, foram criados ou renovados. No entanto, o mercado imobiliário nunca respondeu ao convite dos diversos governos, de investir na região, seja para um mercado diferenciado, seja para habitação social como pretenderam os governos Erundina e Marta.
Outras localizações (engendradas pelas parcerias estado/capital privado, como demonstrou Mariana Fix) foram mais bem sucedidas como foi o caso da região Berrini/Águas Espraiadas. Outro fator que inibiu a entrada mais decisiva dos empreendedores no centro foi a reduzida dimensão dos terrenos. O mercado imobiliário busca terrenos amplos que permitam a construção de uma ou de várias torres- clube, padrão praticamente generalizado atualmente no Brasil.
Finalmente, há os pobres - com toda a diversidade já exposta - cuja proximidade desvaloriza imóveis novos ou reformados, coerentemente com os valores de uma sociedade que além de patrimonialista (e por isso mesmo) está entre as mais desiguais do mundo. Aceita-se que os pobres ocupem até áreas de proteção ambiental: as Áreas de Proteção dos Mananciais (são quase 2 milhões de habitantes apenas no sul da metrópole), as encostas do Parque Estadual da Serra do Mar, as favelas em áreas de risco, mas não se aceita que ocupem áreas valorizadas pelo mercado, como revela a atual disputa pelo centro.
Enquanto os planos das várias gestões municipais para o centro não deslancharam (leia-se: não interessaram ao mercado imobiliário), os serviços públicos declinaram (o acúmulo de lixo se tornou regra), num contexto já existente de imóveis vazios e moradia precária. O baixo preço do metro quadrado afastou investidores e, mais recentemente, nos últimos anos... também o poder público. Nessa área assim “liberada” e esquecida pelos poderes públicos, os dependentes químicos também se concentraram. No entanto a vitalidade do comércio na região, que inclui um dos maiores centros de venda de computadores e artigos eletrônicos da América Latina, não permite classificar essa área como abandonada, senão pelo falta de serviços públicos de manutenção urbana e políticas sociais.
Frente a isso, a gestão do prefeito Kassab deu continuidade ao projeto NOVA LUZ, iniciado por seu antecessor, José Serra, e vem se empenhando em retirar os obstáculos que afastam o mercado imobiliário de investir na área. Estão previstos a desapropriação de imóveis em dezenas de quadras e o remembramento dos lotes para constituírem grandes terrenos de modo a viabilizar a entrada do mercado imobiliário.
A retomada de recursos de financiamento habitacional com o MCMV, após praticamente duas décadas de baixa produção, muda completamente esse quadro. Os novos lançamentos do mercado imobiliário passam a cercar a região. Vários bairros vizinhos, como a Barra Funda, apresentam um grande número de galpões vazios em terrenos de dimensões atraentes. A ampliação de outro bairro vizinho, Água Branca, vai se constituir em um bairro novo .
Finalmente, o mercado imobiliário e a prefeitura lançam informalmente a ideia de uma fantástica operação urbana que irá ladear a ferrovia começando no bairro da Lapa e estendendo-se até o Brás. O projeto inclui a construção de vias rebaixadas. Todos ficam felizes: empreiteiras de construção pesada, mercado imobiliário, integrantes do executivo e legislativo (que garantem financiamento para suas campanhas eleitorais) e a classe média que ascendeu ao mercado residencial com os subsídios.
O Projeto Nova Luz parece ser a ponta de lança dessa gigantesca operação urbana.
Mas ainda resta um obstáculo a ser removido: os pobres que se apresentam sobre a forma de moradores dos cortiços, moradores de favelas, dependentes de droga, moradores de rua, vendedores ambulantes... Com eles ali, a taxa de lucro que pode ser obtida na venda de imóveis não compensa.
Algumas ações não deixam dúvida sobre as intenções de quem as promove. Um incêndio, cujas causas são ignoradas, atingiu a Favela do Moinho, situada na região central ao lado da ferrovia. Alguns dias depois, numa ação de emergência, a prefeitura contrata a implosão de um edifício no local sob alegação do risco que ele podia oferecer aos trens que passam ali (enquanto os moradores continuavam sem atendimento, ocupando as calçadas da área incendiada). Em seguida os dependentes químicos são literalmente atacados pela polícia sem qualquer diálogo e sem a oferta de qualquer alternativa. (Esperavam que eles fossem evaporar?). Alguns dias depois vários edifícios onde funcionavam bares, pensões, moradias, são fechados pela prefeitura sob alegação de uso irregular. (O restante da cidade vai receber o mesmo tratamento? Quantos usos ilegais há nessa cidade?).
O centro de São Paulo constitui uma região privilegiada em relação ao resto da cidade. Trata-se do ponto de maior mobilidade da metrópole, com seu entroncamento rodo-metro- ferroviário. A partir dali, pode-se acessar qualquer ponto da cidade o que constitui uma característica ímpar se levarmos em conta a trágica situação dos transportes coletivos. Trata-se ainda do local de maior oferta de emprego na região metropolitana. Nele estão importantes museus e salas de espetáculo, bem como universidades, escolas públicas, equipamentos de saúde, sedes do judiciário, órgãos governamentais.
Apenas para dar uma ideia da expectativa em relação ao futuro da região está prevista ali uma Escola de Dança, na vizinhança da Sala São Paulo, cujo projeto, elaborado por renomados arquitetos suíços – autores do arena esportiva chinesa “Ninho de Pássaro” - custou a módica quantia de R$ 20 milhões de acordo com informações da imprensa. É preciso lembrar ainda que infraestrutura local é completa: iluminação pública, calçamento, pavimentação, água e esgoto, drenagem como poucas localizações na cidade.
Trata-se de um patrimônio social já amortizado por décadas de investimento público e privado. A disputa irá definir quem vai se apropriar desse ativo urbano e com que finalidade. A desvalorização de tal ambiente é um fenômeno estritamente ou intrinsecamente capitalista, como já apontou David Harvey analisando outros processos de “renovação” de centros de cidades americanas.
A luta pela Constituição Federal de 1988 e a regulamentação de seus artigos 182 e 183, que gerou o Estatuto da Cidade, se inspirou, em parte, na possibilidade de utilizar imóveis vazios em centros urbanos antigos para moradia social. Nessas áreas ditas “deterioradas” está a única alternativa dos pobres vivenciarem o “direito à cidade” pois de um modo geral, eles são expulsos para fora da mesma. Executivos e legislativos evitam aplicar leis tão avançadas. O judiciário parece esquecer-se de que o direito à moradia é absoluto em nossa Carta Magna enquanto que o direito à propriedade é relativo, à função social. (Escrevo essas linhas enquanto decisão judicial autorizou o despejo –que se fez de surpresa e de forma violenta- de mais de 1.600 famílias de uma área cujo proprietário – Naji Nahas - deve 15 milhões em IPTU, ao município de São José dos Campos. Antes de mais nada, é preciso ver se ele era mesmo proprietário da terra, já que no Brasil, a fraude registraria de grandes terrenos é mais regra que exceção, e depois verificar se ela estava ou não cumprindo a função social).
É óbvio, que o caso que nos ocupa aqui mostra a falta de compaixão, de solidariedade, de espírito público. Crianças moram em péssimas condições nos cortiços, em cômodos insalubres, dividem banheiros imundos com um grande número de adultos (quando há banheiros). Com os despejos violentos são remetidas para uma condição ainda pior de moradia pelo Estado que , legalmente, deveria responder pela solução do problema. Num mundo com tantas conquistas científicas e tecnológicas, dependentes químicos são tratados com balas de borracha e spray de pimenta para se dispersarem. Um comércio dinâmico, formado por pequenas empresas e ambulantes, que poderia ter apoio para a sua legalização, organização e inovação é visto como atrasado e indesejável. O modelo perseguido é o do shopping center, o monopólio, e não o pequeno e vivo comércio de rua ou o boteco da esquina.
O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade. O modelo quer os pobres fora do centro como anunciou o jornal Brasil de Fato. Tudo isso é óbvio. O que não parece ser óbvio é que, em última instância, como diria Althusser, a determinação disso tudo é econômica. A centralidade é a produção do espaço urbano e a mola propulsora, a renda imobiliária. E depois dizem que Marx está morto.
Ermínia Maricato é urbanista.
Código Florestal, Lei da Copa, CPI da Privataria, verba para educação: a agenda do Congresso em 2012
O Congresso Nacional retoma seus trabalhos dia 2 de fevereiro com uma agenda cheia pela frente. Entre os temas mais polêmicos, destacam-se investimentos para o Plano Nacional de Educação, destinação dos recursos do Pré-Sal, proposta de criação da CPI da Privataria, PEC do trabalho escravo, previdência dos servidores públicos federais, novo Código Florestal e a Lei Geral da Copa.
Najla Passos
Brasília - Na próxima quinta (2), o Congresso Nacional retoma seus trabalhos, com a solenidade especial de abertura do novo período legislativo. Como normalmente acontece em anos eleitorais, deputados e senadores sabem que terão pouco tempo para apreciar matérias polêmicas, sobre as quais os movimentos sociais já firmaram posições contundentes, manifestadas durante o Fórum Social Temático, realizado de 24 a 29/1, em Porto Alegre (RS).
Entre os temas que promete suscitar debates acalorados está a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), que apresenta as metas do setor para os próximos 10 anos. Pressionado pelo movimentos populares, o relator do projeto, deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR), conseguiu negociar com a equipe econômica do governo, no ano passado, um aumento de 7% para 8% no percentual do Produto Interno Bruto (PIB) a ser destinado para a área, mas a sociedade civil continua exigindo 10 % do PIB para a Educação.
A campanha pelos 10% é uma daquelas raras bandeiras que unifica os movimentos sociais, sindicais e estudantis de diferentes tendências, e provoca a simpatia de parlamentares da oposição e situação. “O PNE já deveria ter sido aprovado em 2011. Agora, deputados e senadores têm o dever concluir a tramitação da matéria até março, em tempo recorde, porque depois, com as eleições, acabará ficando para 2013”, explica a presidente da Comissão de Educação da Câmara, deputada Fátima Bezerra (PT-RN).
À campanha pelos 10%, soma-se outra, pela destinação de 30% da renda do Pré-Sal para a Educação e para a Ciência e Tecnologia. A proposta já foi aprovada pela Comissão de Educação do Senado e continua em tramitação na casa. A verdadeira guerra pelos royalties do petróleo, entretanto, tem como foco a partilha das riquezas geradas entre União, estados e municípios produtores e os demais.
Um substituto do senador Vital Rego (PMDB-PB), desfavorável ao pleito dos estados produtores, foi aprovado pelo Senado, em outubro. Agora, a matéria tramita na Câmara. O presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), criou uma comissão especial para debater o tema, que aguarda o término da indicação de seus membros pelas bancadas para iniciar seus trabalhos.
A expectativa em relação à abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o desvio dos recursos das privatizações das empresas públicas brasileiras, durante a gestão do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, também promete esquentar o período.
O deputado Protógenes Queirós (PCdoB-SP) chegou a protocolar o pedido de instauração da CPI da Privataria, com 197 assinaturas válidas, em 22/12, final do ano legislativo passado. Agora, ele aguarda posicionamento da Secretaria Geral da Mesa Diretora sobre a validade do pedido.
A decisão é técnica, mas também política. Por isso, durante debate realizado no FST sobre o livro “A Pirataria Tucana”, que embasou o requerimento de instauração da CPI, Protógenes se uniu ao autor da obra, o jornalista Amaury Ribeiro Jr, para pedir apoio popular às investigações. "As pessoas e as empresas que participaram das privatizações continuam operando, roubando dinheiro e usando a estrutura do Estado. Isso tem de acabar", disse o jornalista.
Apesar da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, afirmar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo terá prioridade este ano, o presidente da Frente pela Erradicação do Trabalho Escravo, deputado Domingos Dutra (PT-MA), acredita que a matéria só será condições de ser aprovada se contar com um envolvimento direto da presidenta Dilma Roussef. A PEC do Trabalho Escravo propõe o confisco das propriedades, urbanas e rurais, em que forem detectadas práticas análogas à escravidão.
“O posicionamento da ministra é importante, mas será necessário a presidenta Dilma colocar todos os seus operadores no Congresso para trabalharem pela aprovação da matéria, que encontra grandes inimigos na própria base aliada do governo”, afirma Dutra. A PEC do Trabalho Escravo tramita no legislativo há 12 anos. Foi aprovada pelo Senado e, desde 2004, está pronta para ser colocada em votação final na Câmara. Mas a falta de consenso entre os líderes das bancadas faz com que permaneça engavetada.
Para os servidores públicos federais, a grande batalha do ano é tentar impedir que o Congresso aprove o projeto do governo que estabelece a previdência privada para o setor. Já em guerra contra o governo Dilma, que não concedeu reajuste salarial para a categoria em 2011 e não previu recursos para tal no orçamento deste ano, os servidores federais ameaçam até mesmo construir uma greve geral para barrar a reforma previdenciária.
A polêmica deve marcar, ainda, a conclusão da tramitação do Novo Código Florestal que, aprovado com alterações pelo Senado, voltou à Câmara para ser novamente apreciado. Entidades da sociedade civil anunciaram no FST a realização, em 6/2, de diversos atos, na capital federal e nos estados, para protestar contra o projeto que, mesmo após sofrer as alterações propostas pelos senadores, ainda não agrada aos ambientalistas.
A Lei Geral da Copa, já com prazo de tramitação apertado, também estará na pauta da Câmara na abertura dos trabalhos e, na sequência, seguirá para o Senado. A lei desagrada entidades defensoras dos direitos humanos, torcedores, consumidores, idosos e estudantes por alterar a legislação viente no país, desrespeitando conquistas históricas dos movimentos populares brasileiros, como o direito à meia-entrada para estudantes e idosos e a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, além de instituir a venda casada de ingressos com outros serviços.
Dilma no Haiti: menos tropas, mais investimentos
Em visita oficial a Porto Príncipe, Dilma Rousseff anuncia saída gradual de militares brasileiros das força de paz da Nações Unidas. Retirada, decidida pelo Conselho de Segurança da ONU, começa em março mas só deve ser concluída em cinco anos. Segundo ela, Brasil tem compromisso com desenvolvimento haitiano e vai mobilizar empresários para investir no país.
André Barrocal
Porto Príncipe – O Brasil começa em março a retirar parte das tropas que mantém no Haiti desde 2004 e compõem forças de paz das Nações Unidas, a Minustah. E criará um fórum de empresários para analisar oportunidades de investimento na economia haitiana. Esse é o saldo da viagem que a presidenta Dilma Rousseff fez ao país caribenho nesta quarta-feira (1), depois de visita a Cuba.
A primeira etapa de retirada das tropas vai repatriar 288 militares brasileiros que reforçaram a missão depois do terremoto que devastou o país em janeiro de 2010.
A redução do contingente - não só do Brasil, mas da Minustah em geral - foi aprovada no ano passado pelo Conselho de Segurança da Nações Unidas, numa proposta feita à ONU por Estados Unidos e Canadá, segundo fonte do governo que participou da visita de Dilma.
“[A redução] Reflete a nova situação de segurança e estabilidade no Haiti”, disse Dilma, em declaração oficial ao lado do presidente haitiano, Michel Martelly, depois de reunião entre ambos durante a parte da manhã no Palácio Nacional, sede do governo local.
À tarde, Dilma foi até o quartel-general das tropas brasileiras, para conhecê-las. Em discurso para cerca de 300 militares, ela prestou homenagem aos que morreram no trágico terremoto. Disse que o Brasil acredita no diálogo como instrumento de construção da paz e que respeita a soberania alheia.
Pouco antes, Martelly também havia se dirigido ao batalhão para agradecê-lo, mas disse também que espera um dia falar apenas para militares de seu próprio país.
Para Dilma, embora ainda tenha desafios, o Haiti começa a mostrar “avanços nas instituições e na infra-estrutura” e “qualidade” democrática, o que dá segurança para que a ONU já possa deixar os haitianos governarem e decidirem seu futuro sozinhos.
Uma comissão mista, formada por Haiti e ONU, será criada para examinar os efeitos, no longo prazo, da retirada das tropas, que ocorrerá de forma gradual.
A Minustah possui cinco mil homens, dos quais 2,2 mil brasileiros, o maior contingente (18 países participam da frente). Na declaração ao lado de Dilma, Marchelly disse que os dois governos vão trabalhar juntos para construir um calendário de retirada das tropas.
A extinção completa da frente deverá levar pelo menos cinco anos. Segundo a fonte do governo que falou à reportagem, o Brasil, por entendimento da ONU com o governo haitiano, será o último país a se retirar, pois lidera a missão de paz.
Além das tropas militares, existem ainda cerca de três mil policiais, oriundos de 64 países. Estes policiais também vão começar a deixar o Haiti este ano. O Brasil se ofereceu para treinar 100 haitianos para atuar como policiais, numa tentativa de ajudar o país a estruturar sua segurança pública.
Investimentos públicos e privados
Ao mesmo tempo em que formalizou o início da retirada das tropas, Dilma aproveitou a declaração com Martelly para, nas palavras dela, reafirmar o “compromisso do Brasil com o processo de desenvolvimento do Haiti”.
Por isso, ela destacou o apoio e os investimentos que o Brasil já faz no país, em áreas como geração de energia, reconstrução de estradas, produção da agricultura familiar e consolidação de uma rede hospitalar – esta em parceria com Cuba.
Além disso, Dilma disse que o governo ajudará a organizar um fórum de empresários para examinar possibilidades de negócio no Haiti. Segundo ela, esse tipo de incentivo é particularmente importante agora.
“Na atual crise econômica mundial, países mais vulneráveis necessitam de atenção redobrada, sob pena de serem ainda mais injustamente castigados”, afirmou Dilma. “Não podemos permitir que seja interrompida a trajetória de recuperação do Haiti, em parte obtida à custa dos duros esforços com reconstrução que levou ao crescimento de 6% em 2011.”
Na reunião que tiveram, Michel Martelly pediu mesmo que o Brasil ajude a levar mais dinheiro e investimentos ao país, como falou abertamente na declaração ao lado de Dilma.
Segundo ele, o Haiti pode ser uma plataforma exportadora interessante para indústrias brasileiras, como as do ramo têxtil, que poderiam vender aos EUA com vantagens alfandegárias.
Mencionando a relação de Dilma com a Petrobras – ela já foi presidente do conselho da petroleira -, e pediu que a estatal invista na produçào de etanol e biodiesel no Haiti.
Também pediu que o Brasil ajude a estrutura um programa de combate à fome, nols moldes do extinto Fome Zero, proposta para a qual Dilma deu sinal verde.
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