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sábado, 15 de outubro de 2011

Mauro Santayana: As razões do movimento nos Estados Unidos

O movimento de protesto nos EUA teve um dia diferente em Nova York: piquetes de centenas de pessoas se manifestaram às portas de cinco dos maiores milionários de Manhattan, começando pela casa de Rupert Murdoch.
Por Mauro Santayana, em seu blog


Outras residências visitadas foram as dos banqueiros John Paulson, Jamie Dimon, David Koch, e Howard Millstein – todos eles envolvidos nos grandes escândalos de Wall Street, e socorridos por Bush. Os lemas foram os mesmos: que tratassem de devolver o que haviam retirado da economia popular.

A polícia limitou-se a conter, com barreiras, os manifestantes. Mas a mesma coisa não ocorreu em Boston. A polícia municipal atuou com extrema violência durante a madrugada de ontem, atacando, com porretes, dezenas de manifestantes e ferindo dois veteranos de guerra, um deles, de 74 anos, ex-combatente no Vietnã. O “Occupy Together” atingiu mais de 1.200 cidades norte-americanas, em preparação para as grandes concentrações nacionais no próximo sábado, dia 15.

Conforme o jornalista americano David Graeber, em incisivo artigo publicado pelo The Guardian, os jovens, e também homens maduros, vão às ruas nos Estados Unidos em busca de empregos, de boa educação, de paz, é certo, mas querem muito mais do que isso. Eles contestam um sistema que deixou de servir aos homens, para servir apenas aos banqueiros e a um capitalismo anacrônico. “Para que serve o capitalismo?”, é uma de suas perguntas. Eles contestam um sistema baseado no consumo supérfluo de uns fundado na negação das necessidades básicas de 99% da população de seu país. Descobriram que o seu futuro, os seus sonhos, o seu destino e a sua vida foram roubados pelo sistema que deixou de ser democrático.

Os neoliberais no mundo inteiro fazem de conta que esses protestos nada significam, e muitos deles continuam sem perceber o que está ocorrendo. Tem sido sempre assim na História. Na noite de 4 de agosto de 1789, quando, a Assembléia revolucionária da França aboliu os privilégios feudais da nobreza, Luis XVI, que seria guilhotinado menos de três anos depois, escreveu em seu diário: hoje, nada de novo. Como bem registrou Paul Krugman, em seu artigo no New York Times, os manifestantes não são extremistas: os verdadeiros extremistas são os oligarcas, que não querem que se conheçam as fontes de sua riqueza.

Não percebem os políticos o processo revolucionário em marcha que, de uma forma ou de outra, atingirá todos os países do mundo. Ao globalizar-se, pela imposição do sistema financeiro, a economia, globalizou-se a reação dos povos ao sistema totalitário e criminoso. Seria a hora de um entendimento entre os estadistas do mundo, a fim de chamar os especuladores à razão e colocar o Estado ao serviço da justiça, retornando-o à sua natureza original.

Na Europa e nos Estados Unidos o que se vê é o Estado socorrendo os banqueiros fraudulentos, e os ricos insistindo na receita neoliberal clássica, de ajustes fiscais, de redução dos serviços sociais, do arrocho salarial e da demissão sumária de imensos contingentes de trabalhadores, a fim de garantir o lucro dos especuladores.

Nos anos oitenta, os paises emergentes de hoje, entre eles o Brasil, estavam atolados em uma dívida internacional marota, gerada pela necessidade de rolar os bilhões de eurodólares, e não dispunham de recursos. Mme Thatcher disse que o Brasil teria que vender as suas terras e florestas, a fim de pagar o que devia. Hoje, trinta anos depois, a Grécia está vendendo tudo o que pode, até mesmo monumentos históricos, enquanto parcelas de seu povo começam a passar fome.

Quando os africanos morrem de fome e de epidemias, como voltaram a morrer agora, não há problema. Para os brancos, europeus ou americanos, é alguma coisa que não lhes diz respeito. A África não é outro continente: é outro mundo. Mas, neste momento, são brancos, de cabelos louros e olhos azuis, como os manifestantes de Boston – jóia da velha aristocracia da Nova Inglaterra – que vão às ruas e são espancados pela polícia. A revolução, como os próprios manifestantes denominam seu movimento pacífico, está em marcha.

Há é certo, algumas providências na Europa, como a estatização do banco belga Dexie, mas se trata de um paliativo, quando Trichet, o presidente do Banco Central Europeu recomenda injetar mais dinheiro no sistema financeiro privado. Mais astuto, o governo da China reforçou a presença estatal no sistema financeiro, aumentando a sua participação nos bancos de que é acionista majoritário.

E o mundo se move também na política. Abbas – o presidente da Autoridade Nacional Palestina, que luta pelo reconhecimento pela ONU de seu Estado nacional – em hábil iniciativa, esteve anteontem e ontem em Bogotá.

Ele fez a viagem a Colômbia, sabendo que dificilmente o apoiariam: o país hospeda bases militares americanas e, ontem mesmo, um comitê do Senado, em Washington, aprovou o Tratado de Livre Comércio entre os dois países. Assim, o presidente Juan Manuel Santos limitou-se a declarações protocolares de apoio à paz no Oriente Médio, o que não impedirá a caminhada da História.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Vem aí o Maior Concurso de Beleza Comunitária do Petrovale e região

BETIM SENTE SAUDADES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS


*Por Flávio Saddam 

Não importa o governo, se esquerda ou direita, os movimentos sociais são imprescindível na construção de país, um estado e também de uma cidade. Governos de esquerda no Brasil têm construído mecanismos de participação popular. Os fóruns, conferências, reconstrução de conselhos e até mesmo o orçamento participativo, são instrumentos que aproxima a gestão junto ao povo.
Mesmo com esses mecanismos importantes, a construção de uma cidade mais justa e com a cara do povo passa pela organização do povo, através das entidades populares.
Betim sente saudades dos movimentos sociais, das manifestações populares, mesmo no Governo da Prefeita Maria do Carmo (PT). O movimento popular traz consigo suas angustias, as demandas, o olhar do povo. A mobilização social ajuda educar gestores, que mesmo sendo de “esquerda” não tem muita disposição de dialogar com entidades que representa a população.
Movimento Popular não vai pra ruas só para derrubar governos. Serve também para despertar aqueles que infelizmente buscam governar para poucos, ou com poucos.
Bandeiras de lutas do povo, como o crédito educativo, recursos do orçamento municipal para construção de moradias populares, mais investimentos na qualificação profissional,  passe livre para os estudantes entre outras, só se tornará realidade com intensa mobilização do povo através das suas entidades.
 O tucano Carlaile Pedrosa quando governou a cidade, uma das suas principais ações foi cooptar lideranças e com isso acabar com os movimentos populares, em especial o comunitário. Sua intenção política era enterrar o movimento, enxergando nele um empecilho para sua administração.
Não é papel de governos construírem as lutas sociais e sim das forças políticas vivas na cidade.
Atualmente os principais partidos políticos, que historicamente participam e influenciam os movimentos sociais vacilam. Apesar de conhecerem a receita, não conseguem coloca-la em prática.
Talvez as mobilizações populares que estão ocorrendo em todo mundo, possa despertar os nossos dirigentes partidários, que o caminho para construção de uma cidade verdadeiramente justa passa pela organização do povo!!

*Flávio Saddam é Presidente da Associação Comunitária do Bairro Petrovale e também Diretor da FECOP e FAMEMG –

Publica semanalmente seus artigos e opiniões

Déficit fiscal dos EUA em 2011 equivale a 50% do PIB brasileiro

O governo federal dos EUA registrou um déficit orçamentário de US$ 1,3 trilhão no ano fiscal 2011 encerrado em 30 de setembro. O valor equivale a mais de 50% da riqueza gerada no Brasil no ano passado, estimada em US$ 2,09 bilhões pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).


Foi o segundo maior déficit já registrado pelo governo norte-americano. O resultado de 2011 representa 8,7% do PIB e ficou ligeiramente acima do déficit de 2010, que foi de US$ 1,29 bilhão, mas foi inferior ao saldo negativo de US$ 1,41 trilhão de 2009, ano em que o PIB do império encolheu mais de 3% e a chamada economia mundial recuou 0,6%.

Negociações tensas


Há dez anos, durante o governo de Bill Clinton, o país produzia superávits orçamentários e os déficits na casa de US$ 1 trilhão pareciam imagináveis. Hoje, o rombo orçamentário, alavancado pela resposta à crise ou (o que vem a dar no mesmo) o monumental socorro aos bancos, é alvo de tensas negociações em Washington.

Os congressistas americanos estão sob pressão para alcançarem um acordo até o final de novembro sobre como vão cortar US$ 1,2 trilhão em gastos durante a próxima década. Se não houver um acordo, serão executados cortes automáticos no Medicare – seguro saúde que beneficia os idosos –, gastos com defesa e outras áreas críticas do orçamento que entrará em vigor em janeiro de 2013.

Crise da dívida


O acúmulo de déficits provocou o estouro do teto da dívida pública, estabelecido pelo congresso, e conduziu os Estados Unidos às portas da moratória. No ano fiscal 2011, o governo registrou um aumento na receita com imposto de renda pessoa física, mas a arrecadação do imposto de renda corporativo caiu, refletindo a acentuada desaceleração da economia.

Os gastos com o benefício de auxílio-desemprego caíram no ano fiscal 2011. No entanto, as despesas com juros da dívida federal somaram US$ 227,1 bilhões, de US$ 196,2 bilhões no ano fiscal anterior, refletindo o agigantamento dos débitos. O endividamento federal líquido subiu para US$ 9,302 trilhões, ou 62,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

Dependência


O excesso de endividamento, associado à carência de poupança interna, conduziu os Estados Unidos a uma crescente dependência de investimentos estrangeiros para fechar as contas. Esta se manifesta principalmente em relação à China, que se transformou na maior credora do império.

Os planos de ajuste fiscal deixaram o governo Obama paralisado frente à crise da economia real, que está estancada e tende a caminhar para uma nova recessão, e ao desemprego em massa que atinge entre 25 a 30 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Com agências